KRUDER & DORFMEISTER - THE K&D SESSIONS
Mas nem tudo são flores. Vou confessar que, quando este disco chegou às minhas mãos, eu esperava mais! Oh, sim, esperava. As músicas ficam muito embaladas, e até repetitivas em alguns pontos, parecendo muito com letra de pagode, no sentido musical mesmo. E falta também um certo bom uso, melhor exploração de picapes. As músicas também parecem estar em fase experimental, mas mesmo assim não deve ser chamado de um trabalho de amador! Mas como é um disco duplo, a gente pode ter paciência e pensar "não, ainda é muito cedo pra desistir! Alguma coisa tem que se salvar!". E se salva, mas não tira a mocinha do lago do crocodilo, ainda. Lançado em 1998, o disco nada mais é do que o nome sugere, sessões realizadas com outros músicos, reunindo uma série de trabalhos. Então, por serem dois discos, e por ser um trabalho tímido, porém persuasivo, será analizado apenas o que vale a pena deitar no sofá e dedicar uns (bons!) minutos.Pulando as duas nabinhas iniciais, chegamos a Speechless, meio baladinha, mas vale a pena pra soltar um pouco. Hi-Fi Going Under é ótima, criando uma história doida de alguém depois de perseguido, sendo pego e interrogado, tipo um Sin City da vida. Bug Powder Dust mesmo com aquele hip hop (que graças ao K&D não permitiu, pelo jeito, temas como mulher, carro e dinheiro!), e por causa daquele hip hop agora: deu um clima mais dança para um som aparentemente morto e tímido. Rollin' On Chrome, apesar de ter aqueles vocaizinhos imbecis de fundo, é também gostosa, criando uma aventura a ser ouvida e vivida. O clima sensual começa então com Useless, ótimo pra uma relação sacana... de um triângulo! Gotta Jazz entra como um banho de chuva, doce, simples, e oportuno, tudo isso bem na hora certa. Donaueschingen é extremamente confortável, graças ao soar delicioso de uma voz feminina de fundo, e uns vibrafones. Mas a meu ver, o carro-chefe deste álbum, Trans Fatty Acid, mesmo já sendo deliciosa, especialmente com a finalização dela, podia ter algumas melhoras, como ausência de repetecos de ritmo. Pelo segundo disco, temos uma boa representação com Eastwest, com um batuque agradável. Where Shall I Turn é perfeita se fosse descrever um olhar, aqueles que se dá na rua mesmo, ou em qualquer lugar. Bomberclad Joint é a trilha pra ficar como "dois pombinhos" em uma praia, mas seria ao mesmo tempo desanimador se chegasse um bêbado e começasse a dizer "bomberclad, bomberclad"...
É um trabalho legal de se ouvir sem esperar muito, então. Claro, se quiser achar graça, vai ter que gastar um bom tempo. Apesar de não serem muito otimistas as minhas impressões, talvez "The K&D Sessions" seja um bom começo, se o ouvinte não for levado pela ansiedade. Afinal, K&D é K&D. Vale a pena, porque, uma hora ou outra, todo o mundo vai querer relaxar e ficar sem compromisso com o mundo, e sem exigências com os outros.

